Se despedir de alguém não é fácil. Se a pessoa é conhecida pela sua arte, a despedida é dolorosa não apenas para amigos e familiares, mas também para os fãs. Fica o legado admirável de uma vida toda dedicada ao ofício, no entanto.

No Pará, a segunda-feira (26) marcou uma grande perda. Após 50 anos de carreira, o teatro paraense se despede do ator e diretor Henrique Da Paz. Quem deu a notícia sobre o falecimento foi o seu genro, o ator Adriano Barroso.

De acordo com ele, Henrique não resistiu ao passar por um procedimento no coração.

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O velório inicia às 18h no Teatro Waldemar Henrique.

CARREIRA

Depois de prestar vestibular para Medicina e Arquitetura, Henrique Da Paz, que era artista plástico na ocasião, resolveu se entregar ao teatro, no final da década de 1960. Na época, ele iniciou em um grupo da igreja de Icoaraci, distrito de Belém.

Junto com Salustiano Vilhena, eles fundaram o Grupo Gruta de Teatro, um dos mais premiados grupos do Estado. De lá pra cá, atuou e dirigiu dezenas de espetáculos, muitos deles laureados nacionalmente. O nome de Henrique se confunde com a própria história do Gruta e do teatro feito em Belém do Pará.

Em certa ocasião, o ator e diretor Adriano Barroso afirmou que “Henrique é o grande ator dessa cidade, que, perdida em referências tortas, teima em não reconhecer. Mas quem tem a oportunidade e a felicidade de vê-lo atuar entende o que é esse ofício maravilhoso do teatro”.

Dentre tantos espetáculos, Henrique participou de “Hamlet, um Extrato de Nós”, com direção de Cacá Carvalho, pelo Grupo Cuíra do Pará, dentre  outras trabalhos. Também atuou no cinema no filme “Miguel, Miguel”, baseado na obra do escritor Haroldo Maranho e dirigido por Roger Elarrat. Ele foi professor da Universidade do Estado do Pará e era pai da atriz de teatro Monalisa Da Paz.

Em 2012, o artista foi protagonista do documentário “Henrique da Paz – Tempo e Espaço de um Ator”, dirigido por Hamilton Braga.

No Facebook, o ator e diretor Cacá Carvalho e outros amigos e parceiros do teatro lamentaram a perda:

Nós lá de Belém, do Teatro, da Cultura, perdemos um Mestre. Eu perco um amigo desde os meus primeiros anos no porão do Teatro da Paz, nós dois ali com Seu Justino pai dele, vendo e “ajudando” a pintar os cartazes para a porta do teatro com o espetáculo da semana… ele com seu grupo em Icoaraci, que naquela época era longe… eu encantado com as histórias do seu pai. Fizemos tantas coisas juntas. Aquele rapaz virou um Homem de Teatro, fundou um grupo o Grupo Gruta de Teatro que existe e resiste há 50 anos em Belém, uma inteireza, uma fé sem fim. Nos falamos há poucos dias pelo seu aniversário… um coração parar assim do nada e levar tudo… ficamos pobres demais.
Henrique Silva da Paz meu amigo e referência, ator maior, siga e
nos oriente.

Todo meu carinho e silêncio Monalisa Paz, Aldo Paz , Adriano Barroso e companheiros de Belém.

Fonte: DOL
Foto:  Linda Ribeiro/Portal Cultura