Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) entraram em um acordo para iniciar a retirada de suas tropas do Afeganistão em 1º de maio, anunciou a aliança na quarta-feira (15).

A retirada deverá ser concluída em poucos meses. Os aliados reconhecem que “não há uma solução militar aos desafios que o Afeganistão enfrenta” e por isso determinaram que começarão a retirada das tropas em 1º de maio, destacaram na nota. Segundo a aliança militar, a retirada “será ordenada, coordenada e deliberada”.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse na quarta-feira que os soldados americanos também serão retirados do Afeganistão. Após o dia 11 de setembro, não haverá mais presença militar dos EUA no país.

Em Washington, o presidente americano, Joe Biden, disse que as tropas cumpriram o objetivo fundamental de assegurar que o Afeganistão “não seja usado como base para atacar a nossa pátria”.

“Vamos fazer com que os talibãs prestem contas por seus compromissos de não permitir que nenhum terrorista ameace os Estados Unidos ou seus aliados a partir do território afegão”, disse Biden em um pronunciamento.

 

Vão sair, mas vão revidar também

A Otan afirmou que “qualquer ataque dos talibãs às tropas aliadas durante essa retirada será enfrentada com força”.

“Fomos juntos ao Afeganistão, adaptamos nossa posição e estamos unidos para nos retirar juntos”, disse o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, acrescentando que esta “não é uma decisão fácil e inclui riscos”.

Stoltenberg manteve durante o dia uma longa reunião com o secretário americano da Defesa, Lloyd Austin, e o secretário de Estado, Antony Blinken.

Em coletiva de imprensa conjunta, conjunta, Stoltenberg disse que a Otan enfrenta um “dilema” porque a alternativa a uma retirada ordenada é “se preparar para um compromisso militar sem fim, de longo praz, com potencialmente mais tropas”.

Durante o dia, Stoltenberg, Austin e Blinken mantiveram contatos com todos os colegas da Otan, e ao fim das consultas, a chanceler da Bélgica, Sophie Wilmès, e a ministra da Defesa, Ludivine Dedonder, expressaram em nota suas dúvidas sobre a decisão.

De acordo com elas, o anúncio da retirada poucos dias antes do início de uma conferência sobre o Afeganistão, a ser realizada na Turquia, “poderia reduzir a pressão sobre os talibãs”.

O fim da missão da Otan no Afeganistão “ocorre no âmbito de um renovado suporte regional e internacional a um progresso político que conduza à paz. Seguiremos apoiando o processo de paz conduzido por afegãos”, afirmaram os países aliados.

Os secretários americanos de Estado e Defesa, respectivamente Antony Blinken e Lloyd Austin, mantiveram nesta quarta reuniões e consultas na sede da Otan em Bruxelas, além de um encontro com o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg.

 

Fonte: G1.com
Foto: Bob Strong/Reuters