Os paraenses têm lutado com os preços dos alimentos. A carne bovina vendida nos açougues, mercados e supermercados da capital, por exemplo, fechou o ano passado com uma alta de 18% no acumulado do ano, entre janeiro e dezembro, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esse reajuste é superior à inflação, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 5,45% no período. No mês, a alta foi de 3,52%.

Segundo o estudo, o quilo da carne bovina de primeira qualidade – coxão mole/chã, cabeça de lombo e paulista – foi comercializada a uma média de R$ 28,22 em dezembro de 2019, um ano antes, fechando 2020 no valor médio de R$ 33,23. No início do ano passado, em janeiro, foi comercializado a cerca de R$ 26,46, caindo para R$ 25,35 em fevereiro, para R$ 25,08 em março, subindo a R$ 25,64 em abril, R$ 26,87 em maio, R$ 26,99 em junho, R$ 26,85 em julho, R$ 27,62 em agosto, R$ 29,67 em setembro, R$ 30,28 em outubro, R$ 32,10 em novembro e, por último, R$ 33,23 no mês passado.

Como na cesta básica a previsão de consumo mensal da carne bovina por trabalhador no Pará é de 4,5 quilos, o gasto total em dezembro atingiu R$ 149,54, com um impacto de 15,47% em relação ao salário mínimo de R$ 1.045, que vigorou até o último dia do ano. A advogada Larissa Duarte, de 31 anos, diz que tem achado todos os preços altos, não apenas da carne vermelha, mas do frango também. Mesmo as carnes de segunda qualidade, que antes ela encontrava a R$ 9 ou R$ 10, agora custam R$ 15 ou R$ 16.

“Estou comprando uma vez na semana, nos dias em que a carne fica mais barata. Mas tenho que economizar para não gastar tanto com isso, porque moro sozinha. Estou apelando mais para o vegetarianismo e para o ovo”, conta. A advogada notou o aumento desde o mês passado, mas não tem noção do quanto gasta mensalmente com a carne, já que faz as compras junto com outros itens da alimentação.

A costureira Roseane Oliveira, de 38 anos, também enfrenta dificuldades com o preço da carne bovina, e relata que, em todos os lugares, os valores estão “absurdos”. Ela também faz as compras uma vez por semana e precisou cortar gastos para não pesar no orçamento. “Precisei economizar muito. Antes comprava R$ 100 e dava bastante. Agora, com R$ 50 só consigo comprar um pedaço, aí fica difícil. Estou optando agora mais pelo frango e peixe, porque só carne não dar”, afirma a consumidora.

 

 

Fonte: O Liberal
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